Paróquia São José do Jardim Europa

Artigos › 20/03/2020

O que se deve pedir na oração?

sorrow-699606-640

Num primeiro momento, parte das nossas orações não atendidas se devem ao fato de que, como vimos, “não sabemos o que devemos pedir” (Rm 8,26). E a consequência disso é que pedimos e não recebemos, simplesmente porque pedimos mal (Tg 4,3). O apóstolo Tiago, logo em seguida, explica o que é este pedir mal: queremos que Deus satisfaça os nossos desejos. Enfim, rezamos para que Deus se coloque a nosso serviço e, como um verdadeiro gênio da lâmpada, faça aquilo que mandamos. Reflita por um momento: será que os seus pedidos, por mais justos e necessários que pareçam ou realmente sejam, não se resumem a essa postura de que você sabe o que é o melhor a ser feito neste caso, e Deus só precisa realizar aquilo que você está “pedindo”?

Nossa oração muda o pensamento de Deus?

A oração seria um pedido motivado por nossos desejos. Não passaria de um movimento dos nossos sentimentos. É importante, por isso, recapitular algo do que já vimos para podermos prosseguir.

A oração é um movimento do intelecto que faz o ser humano aproximar-se de Deus, para que possa entrar em comunhão estreita com Ele e, assim, realizar a Sua vontade. Também para pedir coisas necessárias à salvação, que Ele já dispôs por Sua providência, mas que depende do assentimento de cada um. Vimos, desta forma, que a oração não é para mudar o pensamento de Deus, mas para O entender e nos ajudar a realizá-Lo diariamente. Isso mantém a saúde de nossa alma, promovendo também a santificação e ordenação do corpo por meio das virtudes, e faz com que possamos manter nossas promessas e propósitos assumidos, anteriormente, e é a mais importante arma para resistirmos às tentações.

Nada disso é possível se não se está em estado de graça. De fato, a oração em pecado é como a palavra do filho que diz ao pai que vai fazer a sua vontade, mas, de fato, não vai (Mt 21,30). O pecado nos faz perder a comunhão com Deus e, segundo Santo Tomás de Aquino, atrapalha até mesmo o mérito de quem se coloca em oração querendo se unir ao Criador. Ou, sendo bem claro, diz que quer, mas, pelos atos e de fato, não quer.

O prêmio da oração

A partir disso, podemos entender que, se o principal prêmio da oração é a bem-aventurança eterna, ou salvação, é isso que devemos pedir quando rezamos. Pedir a Deus que nos una com Ele, já aqui neste mundo, e que nos conceda a união eterna e indissolúvel que virá, insistentemente, perseverantemente. Ele mesmo, a partir disso, orientará sobre que passos também devem ser dados pelo homem para que a vontade d’Ele, que é a nossa salvação, cumpra-se.

Como vimos no artigo anterior, pode-se e deve-se contar com a intercessão da Virgem Maria, dos anjos e dos santos para que possamos entender e realizar os desígnios de Deus para nossa salvação. Afinal, como diz a própria Palavra de Deus, é vontade d’Ele que todos os homens se salvem (1Tm 2,4) e, já vimos, que a Providência Divina condicionou muitas coisas à nossa oração particular. Lembre-se de que, após ensinar os pastorinhos a rezar, o Anjo de Portugal lhes explica: “Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”. E, após encontrá-los brincando, como é normal em quaisquer crianças da idade deles, relembra que muitas coisas estavam condicionadas à oração dos três, dizendo: “Que fazeis? Orai. Orai muito. Os corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia”.

É necessário, portanto, pedir a Deus, constantemente, por nossa salvação, para que possamos ouvir a Sua voz que nos orienta e para que tenhamos forças para levar até o fim as promessas que já realizamos, como uma consagração, o matrimônio ou a ordenação sacerdotal. São pedidos bem determinados, semelhantes àqueles que o próprio Cristo nos ensinou a fazer por meio da oração do Pai-Nosso: santificar o nome de Deus, fazer a Sua vontade, propagar o Seu Reino no nosso interior e no mundo, receber as graças necessárias para cada dia e correspondê-las, principalmente vivendo o perdão incondicional.

Posso pedir bens materiais?

Posso também pedir bens materiais na oração? Esse será o tema do nosso próprio artigo. Até lá, Santo Tomás de Aquino nos orienta que nunca devemos pedir a Deus nada que possa causar o mal a nós mesmos e a outros. Mas como saber o que vai nos causar mal? Muitos acreditaram que a solução para seus problemas era o dinheiro, no entanto, as riquezas provocam a perdição de muitos. Assim como o desejo de ser reconhecido, valorizado, honrado, conquistando um título ou status na sociedade. Também muitos se perderam e se perdem através da conquista de vantagens nos negócios, através de “promoções” no trabalho que os fazem desprezar o espiritual e viver unicamente em função do material, sobrecarregados pelo mundo.

Por enquanto, fiquemos somente com aqueles bens que nunca podem causar o mal e não tem como produzir resultados ruins. São aqueles que nos tornam verdadeiramente felizes e nos fazem merecer a felicidade eterna e que, os santos, utilizando as Sagradas Escrituras, pediam sem cessar: “Despertai vosso poder, e vinde salvar-nos!” (Sl 79,3) e as lindas orações do Salmo 118, entre elas: “De todo o coração eu vos procuro; não permitais que eu me aparte dos vossos mandamentos” (Sl 118,10).

Por Flávio Crepaldi, via Canção Nova

Premium WordPress Themes Download
Download Best WordPress Themes Free Download
Download Premium WordPress Themes Free
Download Premium WordPress Themes Free
free download udemy paid course
download lenevo firmware
Premium WordPress Themes Download
ZG93bmxvYWQgbHluZGEgY291cnNlIGZyZWU=

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.