Paróquia São José do Jardim Europa

Artigos › 10/10/2018

A fé é certeza ou procura e descoberta?

“Se uma pessoa diz que encontrou Deus com certeza total e não aflora uma margem de incerteza, então não está bem. Para mim, esta é uma chave importante. Se alguém tem resposta a todas as perguntas, esta é a prova de que Deus não está com ela. Quer dizer que é um falso profeta, que usa a religião para si próprio”

O risco no procurar e encontrar Deus em todas as coisas é, pois, a vontade de explicar demasiadamente, de dizer com certeza humana e arrogância: “Deus está aqui”. Encontraremos sempre um deus à nossa medida. A atitude correta é a agostiniana: procurar a Deus para O encontrar e encontrá-LO para O procurar sempre?.

(Entrevista do Papa Francisco ao Pe. Antonio Spadaro 19 de agosto de 2013 – Casa Sta. Marta)

Este trecho da entrevista do Papa Francisco abriu-me novos horizontes e confirmou em mim uma atitude que cultivo há muito tempo. Ela norteia o meu caminho espiritual e pastoral e provoca um certo mal-estar diante de posicionamentos e declarações marcados por dogmatismo e arrogância intelectual e religiosa por parte de quem quer que seja. Trata-se da atitude de humildade, respeito e abertura diante do mistério de Deus e de qualquer pessoa humana criada a sua imagem e semelhança. Ninguém tem o direito de “pisar” e de entrar no mundo de Deus e da consciência humana com as sandálias, mas descalço e com a ponta dos dedos do pés, como Moisés na sarça ardente.

Isso não impede, naturalmente, que tenhamos entusiasmo e alegria em manifestar a nossa fé sempre, mas sobretudo em atitudes evangelizadoras que testemunhem a nossa adesão ao Senhor e possam motivar outras pessoas a entrar no caminho de Jesus e a percorrê-lo numa adesão sincera à sua pessoa, à sua palavra e à sua obra.

Contudo devemos respeitar os tempos, os ritmos e os processos de maturação de todas as pessoas e de cada uma delas e do trabalho do Espírito de Deus em sua vida. A tentativa de acelerar, cobrar ou mexer na vida e no sacrário da consciência dos outros, não é respeitoso e não nos cabe. Cabe sim a cada um de nós, sobretudo àquelas pessoas que exercem responsabilidade familiar e eclesial, cuidar de cada irmã ou irmão que Deus lhe confiou. O cuidado é próprio de quem ama e quer o bem da pessoa amada.

O mistério de Deus e das pessoas recebeu um tratamento muito especial, diria único, na vida da Mãe de Jesus. Diz o evangelista Lucas: “Maria conservava todos os acontecimentos meditando-os em seu coração”(cf. Lc 2,19.50). A meditação é atitude reflexiva de quem anda “na penumbra da fé”, descobrindo a cada passo os caminhos do Espírito. Não posso deixar de citar um grande santo e teólogo que escreveu a maior e mais importante enciclopédia de filosofia e teologia de todos os tempos, Santo Tomás de Aquino. No fim da vida, quando alguém o elogiava a respeito de sua obra grandiosa, ele respondia: “É tudo palha!”.

Deus é sempre novo, sempre jovem, é surpresa perene e não se deixa engaiolar por ninguém! Por isso quem se deixa atrair por ele não dispara sentenças, não se agarra a fórmulas, não se acha “dono da verdade”, mas vive numa contínua descoberta e se renova a cada dia no amor!

Por Dom Francisco Biasim – Bispo de Barra do Pirai- Volta Redonda (RJ), via CNBB

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